Long time waiting
Mondovino – Entre o Moderno e o Romântico
Do outro lado, é apresentado o lado romântico, a belle époque da produção vinícola. O jeito tradicional de se produzir o vinho é trazido nos depoimentos de nobres produtores, notadamente franceses e italianos.
A linha mestra do documentário gira em torno do possível círculo vicioso que está se formando em torno da avaliação de vinhos e a uniformização do sabor. Essa uniformização é representada pelas técnicas aplicadas e sugeridas por consultores que parecem, em tese, agradar aos críticos que, por conta disso, atribuem boas nota a esses vinhos, fazendo com que “tornem-se” melhores aos olhos dos consumidores, o tal círculo vicioso.
É mostrado o contraponto a essa questão, trazendo a história de diversos produtores tradicionais, que preparam seus vinhos procurando extrair o melhor do terroir e deixando o vinho com os sabores que ele possui pela sua natureza e não os manipulados pelas técnicas humanas, tal como a micro-oxigenação.
Os produtores modernos querem agradar a maior parcela de mercado possível para garantir maior receita e expandir seu negócio, o que é muito justo; e de outra sorte os produtores tradicionais querem manter a máxima de Galileu que disse que “Wine is sunlight held together by water”, sem mais nem menos.
Certamente é uma produção que merece ser vista, um duelo entre o moderno e o romântico, que influencia diretamente o nosso paladar. Saber quem está certo é complicado, o mais provável é que ambos tenham sua parcela de razão, é uma decisão difícil, mas eu sempre fui um cara romântico.
Um bom Ano e o Chateau la Canorgue
Um bom EnoFriend não é só sobre beber vinhos. Existe toda uma gama de oportunidades nas quais o vinho está presente. Tanto como um grato coadjuvante ou, vez que outra, como um competente protagonista.
Assim, além de falar sobre os vinhos que aparecem pelo meu caminho, pretendo trazer histórias de livros, filmes, ou qualquer outra forma de expressão que possa se mostrar relevante.
Tempos atrás foi lançado o filme “Um bom ano” (A Good Year), no qual um broker da bolsa de Londres herda um Chateau na Provence e na viagem que faz ao lugar para acertar a papelada e vendê-lo, acaba se descobrindo apaixonado pela região e suas peculiaridades.

Achei os lugares onde o filme foi gravado sensacionais, os vinhedos ficam próximos à cidade de Bonnieux, no Chateau la Canorgue e integram a Appellation Côtes du Luberon. Segundo seu vigneron, os vinhedos são cultivados sem qualquer produto químico ou sintético, apenas produtos naturais e lots of hard work.

De fato, não sabia da existência desse chateau, apesar de descobrir que possui muito boas reviews dos seus Blanc Marsanne 2007 e Syrah 2005. Além dessas duas, são também cultivadas as cepas Grenache, Mourvèdre, Merlot, Cabernet Sauvignon, Roussane, Viognier e Rolle.
É sem dúvida um filme divertido, tendo a produção de vinhos como um belo pano de fundo.
